Estudo de Liderança
?
?Tese Tracista ou tracismo ou dos traços de personalidade:
Segundo essa tese determinadas pessoas são líderes por causa de traços de personalidade que elas possuem.
Mas a tese tracista foi rejetada pelos seguintes motivos:
? Algumas pessoas não se tornaram líder apesar de terem a maioria dos traços descitos pela tese
? Existem indivíduos que são líderes sem possuírem praticamente nenhum traço descrito na tese.
? Em diferentes situações a tese não apresenta valor ou importância
? A tese parte da idéia que as pessoas seriam líderes em todas situações e circunstancias da vida cotidiana
Tese Situacional
L= f ( l.l.s)
A liderança é função das características : Lider , liderado
e situação
1. Alta tarefa Baixo Relacionamento
2. Alta Tarefa Alto relacionamento
3.Baixa tarefa Baixo relacionamento
3. Baixa tarefa Alto Relacionamento
Resumindo :
Liderança Situacional é aquela que resulta da combinação dos três tipos de liderança; Autocrática , Democrática e liberal.
O administrador possui flexibilidade para se adaptar aos estilos dependendo da necessidade de seus seguidores.
LIDER:
Líder é todo individuo , que graças á sua personalidade , dirige um grupo de pessoas , com a participação espontânea de seus mebros.
? O líder não é a pessoa que se destaca no grupo , mas aquela que representa a média do grupo.
Wilson Holden pesquisou 1427 líderes e distinguiu principais traços:
Aparencia pessoal – Autoconfiança
Entusiasmo
Persistência – perseverança
Iniciativa- inteligência
Disciplina
Criatividade
Honestidade
Flexibilidade
Habilidade para dar caricias / habilidade para ensinar
Capacidade para tomar decisões
Poder de negociar sobre pressão
Poder de comunicação / saber ouvir atentamente
Maior dose de EFICACIA do que eficiência.
EFICIENCIA EFICÁCIA
Faz certo as coisas As coisas certas
Resolver Problemas Produzir alternativas criativas
Cumprir o seu dever Obter resultados
Reduzir custos Aumentar lucro
Enfase nos meios Ênfase nos resultados
Salvaguardar os recursos aplicados Maximizar a utilização de recursos
Voltado para os aspectos internos da empresa Voltado para os aspectos externos da empresa
Rezar Ganhar o céu
O EFICIENTE faz muito bem feito o que não era para ser feito
O EFICAZ trabalha em cima de prioridades.
Penhora em Execução Provisória
PENHORA EM EXECUÇÃO PROVISÓRIA: Para o TST, não deve existir confisco de dinheiro se houver outros bens para penhora em caso de execução provisória
Em execução provisória, quando não há uma decisão definitiva (transitada em julgado), não deve haver confisco de dinheiro para garantir pagamento da dívida (penhora) se outros bens forem oferecidos para esse fim. Com esse entendimento, a Seção II Especializada em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho acolheu recurso do Banco Rural e determinou a liberação do valor bloqueado em conta corrente pela 19ª Vara do Trabalho de Porto Alegre (RS) para pagamento de débitos em ação trabalhista.
No caso, os ministros da SDI-2 reformaram decisão do Tribunal Regional do Trabalho da Quarta Região (RS). O TRT não concedeu mandado de segurança ajuizado pelo Banco Rural com o objetivo de desbloquear a conta corrente, mesmo com um recurso ainda esperando julgamento no TST e com o oferecimento de Cédulas de Crédito Bancário, que teriam liquidez imediata, como garantia.
Inconformado, o banco entrou com um recurso ordinário no TST alegando que teria que se aplicar no processo o artigo 620 do Código de Processo Civil que dispõe: “quando por vários meios o credor puder promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso (oneroso) para o devedor”.
Ao acatar o recurso do banco, o ministro Renato de Lacerda Paiva, relator da ação na SDI-2, argumentou “que, sobretudo na execução provisória, deve ser aplicado o princípio de menor gravosidade”, pois não se teria ainda o valor líquido e certo da condenação. “Mesmo porque, houvera no caso a oferta de outro bem para a garantia do débito, fato que já não autoriza a aplicação rigorosa da ordem estabelecida no art. 655 do Código de Processo Civil”, concluiu.
O ministro citou o item III da Súmula 417 do TST que dispõe: “em se tratando de execução provisória, fere direito líquido e certo do impetrante a determinação de penhora em dinheiro, quando nomeados outros bens à penhora, pois o executado tem direito a que a execução se processe da forma que lhe seja menos gravosa, nos termos do art. 620 do CPC” (ROMS-119600-04.2008.5.04.0000)
PENHORABILIDADE DO SALDO DO FGTS: STJ autoriza penhora de fgts para quitar débitos de pensão alimentícia
O Fundo do Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) pode ser penhorado para quitar parcelas de pensões alimentícias atrasadas. Esse foi o entendimento unânime da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em processo relatado pelo ministro Massami Uyeda.
Após uma ação de investigação de paternidade, a mãe de um menor entrou com ação para receber as pensões entre a data da investigação e o início dos pagamentos. Após a penhora dos bens do pai, constatou-se que esses não seriam o bastante para quitar o débito. A mãe pediu então a penhora do valor remanescente da conta do FGTS.
O pedido foi negado em primeira instância e a mãe recorreu. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) acabou por confirmar a sentença, afirmando que as hipóteses para levantar o FGTS listadas no artigo 20 da Lei n. 8036, de 1990, seriam taxativas e não prevêem o pagamento de pensão alimentícia. No recurso ao STJ, a defesa alegou que as hipóteses do artigo 20 seriam exemplificativas e não taxativas. Apontou-se, também, a grande relevância do pagamento da verba alimentar e dissídio jurisprudencial (julgados com diferentes conclusões sobre o mesmo tema).
No seu voto, o relator, ministro Massami Uyeda, considerou que o objetivo do FGTS é proteger o trabalhador de demissão sem justa causa e também na aposentadoria. Também prevê a proteção dos dependentes do trabalhador. Para o ministro, seria claro que as situações elencadas na Lei n. 8.036 têm caráter exemplificativo e não esgotariam as hipóteses para o levantamento do Fundo, pois não seria possível para a lei prever todas as necessidades e urgências do trabalhador.
O ministro também considerou que o pagamento da pensão alimentar estaria de acordo com o princípio da Dignidade da Pessoa Humana. “A prestação dos alimentos, por envolver a própria subsistência dos dependentes do trabalhador, deve ser necessariamente atendida, mesmo que, para tanto, penhore-se o FGTS”, concluiu o ministro.
Para se aposentar, trabalhador pode ter que trabalhar mais sete anos
A equipe econômica do governo federal está elaborando propostas para uma minirreforma da Previdência Social. Uma das possibilidades em estudo é aumentar em sete anos o tempo mínimo de contribuição para requerer a aposentadoria. Segundo informou, nesta segunda-feira, a coluna da jornalista Mônica Bergamo, publicada pelo jornal “Folha de S. Paulo”, a ideia é aumentar o período de recolhimento de 35 para 42 anos, no caso dos homens, e de 30 para 37 anos, para as mulheres, qualquer que seja a idade do segurado.
O projeto já estaria nas mãos do ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves. O INSS, no entanto, informou que a proposta, assim como outras possibilidade de mudança na Previdência, ainda estão na área técnica e serão encaminhadas para avaliação das centrais sindicais e da Presidência da República, antes de serem enviadas ao Congresso Nacional para votação.
O aumento do tempo de contribuição seria um dos caminhos para substituir o fator previdenciário, cálculo que reduz o valor dos benefícios de quem se aposenta mais cedo.
Mudanças também para as pensões
A necessidade de uma minirreforma da Previdência Social tem levado o governo a discutir outras possibilidades de mudanças. Em junho deste ano, por exemplo, técnicos já estudavam a ideia de reduzir o valor das pensões para viúvas, limitando os benefícios a 70%, caso elas não tenham filhos. Outra proposta seria a de que a pensões fossem pagas por apenas dez anos, se elas tiverem menos de 35 anos de idade.
Na ocasião, associações e sindicatos que representam aposentados e pensionistas no país fizeram oposição às ideias de mudança. Houve, inclusive, críticas de parlamentares — tanto governistas quanto de oposição —, que também se manifestaram contra a intenção de aumentar o tempo de recolhimento necessário para as mulheres obterem aposentadoria por tempo de contribuição: de 30 para 33 anos.
No caso da aposentadoria por idade, outra possibilidade divulgada anteriormente seria elevar a idade mínima de 60 para 63 anos, no caso das seguradas. A resistência, neste caso, veio até de parlamentares do PT e do PMDB.
A justificativa do governo para alterar as leis previdenciárias é a necessidade de evitar um colapso das contas públicas. Segundo especialistas, a Previdência Social não se sustentaria com as regras atuais até 2050, devido ao envelhecimento da população, o que resultaria em pagamentos de benefícios por longos períodos.
Por Mônica Pereira e Djalma Oliveira
Aposentados que ganham acima do salário mínimo devem ficar sem aumento acima da inflação
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) da União para 2012 foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff com 32 vetos. Um deles retirou do texto final um artigo que reservava recursos para dar aumentos reais (acima do acumulado da inflação em 12 meses) aos aposentados e pensionistas do INSS que ganham acima do salário mínimo (R$ 545). A medida torna mais difícil a concessão de um ganho real para os 8,9 milhões de beneficiários que ganham acima do piso nacional, em janeiro de 2012.
No texto que justifica o veto, publicado no Diário Oficial da União, Dilma argumenta que “não há como dimensionar previamente o montante de recursos a serem incluídos no PLOA-2012 (projeto do Orçamento), uma vez que, até o seu envio, a política em questão poderá ainda não ter sido definida”.
O cálculo que determina o percentual de aumento real, quando este é concedido, é negociado entre o governo e as centrais sindicais. Mas o fato de Dilma ter vetado a possibidade de aumento acima da inflação é um sinal de que o governo não tem dinheiro reservado para os aposentados.
Categoria de luto
Para a Confederação Nrasileiras dos Aposentados e Pensionistas (Cobap), a categoria “está de luto” com a decisão da presidente de não guardar recursos para o aumento real. Em nota, a entidade afirmou que Dilma “não tem interesse em resolver ou ao menos amenizar a questão do reajuste dos benefícios previdenciários”.
Os 19,6 milhões de segurados do INSS que ganham até um salário mínimo devem ter aumento porque, para eles, vale a mesma política de reajuste do piso nacional dos trabalhadores da ativa, que considera a inflação do ano anterior e o Produto Interno Bruto (PIB, o conjunto das riquezas do país) de dois anos antes, para determinar o índice. Esse mecanismo de atualização do mínimo será usado até 2015, tanto para trabalhadores quanto para segurados da Previdência que ganham até um piso nacional.
O aumento deste ano para as aposentadorias e pensões do INSS com valor superior ao salário mínimo foi de 6,41%. Quem ganha até um piso nacional levou 6,86%.
Por Djalma Oliveira.
Consumidor: entra em vigor no município de São Paulo a Nota Fiscal Paulistana
SÃO PAULO – A partir desta segunda-feira (1), os consumidores do município de São Paulo podem pedir a Nota Fiscal Paulistana, que permite receber de volta, como crédito, até 30% do ISS (Imposto sobre Serviços de qualquer natureza) recolhido pelo prestador de serviços.
Paulistana
Os consumidores poderão pedir a nota nos estabelecimentos prestadores de serviço do município de São Paulo, como cabeleireiros, academias, estacionamentos, escolas particulares, oficinas mecânicas, hotéis, entre outros.
Os créditos conquistados com a emissão da nota poderão ser usados para abater o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) do ano seguinte.
Além disso, o consumidor poderá optar pelo depósito dos créditos em conta-corrente, sendo que, neste caso, apenas os paulistanos que não possuem débitos com a prefeitura poderão usar esse benefício.
Outro benefício será o programa de sorteio, porém, para garantir os benefícios, o consumidor deverá informar o número do CPF, como já existe na Nota Fiscal Paulista, do governo de São Paulo.
No estado
Dentro e fora do município de São Paulo, para os estabelecimentos onde há venda de mercadorias, como supermercados, restaurantes, farmácias, lojas de roupas e calçados, o consumidor deverá solicitar a Nota Fiscal Paulista.
Assim como a Nota Fiscal Paulistana, a nota Paulista permite o depósito em conta-corrente, além dos sorteios, porém, os créditos são provenientes do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços).
Neste caso, os créditos da Nota Fiscal Paulista poderão ser usados para o abatimento do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores)
Funções de uma Derivada
Objeto de estudo da Filosofia
O objeto de estudo da Filosofia é amplo e de difícil limitação. Para se fazer um estudo filosófico, não se tem a mesma facilidade como o de se fazer a análise das propriedades físicas de um dado metal. Os objetos da Filosofia estão na natureza e nas relações humanas, ou seja, quase todas as áreas do conhecimento humano podem sofrer uma pesquisa filosófica. Os objetos de estudo da Filosofia são vários: “a vida moral” (Ética), “o conhecimento” (Epistemologia), “a arte” (Estética), “a essência” (Ontologia ou Metafísica), “a linguagem“ (Filosofia Analítica).
Sendo muitos os objetos de estudo da Filosofia, o fazer filosófico visa observar e analisar estes objetos de um modo crítico. Buscando neles coerência, lógica e as causas que os fundamentam. Não é tarefa fácil buscar fundamentos, que significa buscar os primeiros princípios ou os princípios que regem um ou outro objeto.
Na contemporaneidade, a busca pela verdade última das coisas foi colocada sob suspeita, pois uma verdade que poderia ter objetividade e uma realidade óbvia, depende do sujeito que conhece. Portanto, ela seria uma verdade relativa a cada sujeito cognoscente.
Segundo Marilena Chauí, Filosofia é “a decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana, e jamais aceitá-los sem antes haver investigado e compreendido. “Veremos que esta é apenas uma das respostas. Há várias filosofias com respostas diferentes.
Para estudar Filosofia é necessário a indicação de caminhos e modos de filosofar, e perceber a necessidade da Filosofia para qualquer profissão ou objetivos na vida, tão fundamental quanto a Matemática, as Ciências Contábeis, a Administração de Empresas e outras.
Todos somos Filósofos
A maioria das pessoas dizem que a Filosofia é um estudo difícil porque exige capacidade de inteligência, profunda meditação, capacidade de raciocinar, de deduzir, analisar, comparar. Se a Filosofia foi um difícil campo de pesquisa do espírito, hoje o é mais porque o século atual é o oposto a atitudes de concentração, de profunda meditação, de intrincadas análises. Para fazer Filosofia é preciso parar para pensar. Como?
A Filosofia exige concentração e meditação num mundo em que não se tem tempo para meditar, nem acalmar o espírito para se concentrar… Hoje, há milhares de pessoas dedicadas às ciências, técnicas, indústria, comércio e outras atividades, e poucas dedicadas à Filosofia. Além das dificuldades que impedem a livre meditação, a Filosofia exige amadurecimento mental, profunda cultura geral e experiência de vida. Daí a pouca expansão da Filosofia e, entre os jovens, não se encontram filósofos.
Apesar da Filosofia ser um estudo difícil e da afirmação de que “a Filosofia é uma concepção de vida”, somos filósofos sem o saber. Cada homem inteligente, que não vive somente para comer, trabalhar ou dormir, possui uma concepção de vida presente no modo de encarar os problemas que o envolvem, nos seus princípios morais ou imorais, nos seus esquemas mentais aplicados em cada situação que surge, enfim, a sua maneira de encarar a vida segundo a sua filosofia de vida (ou posição filosófica), Ex: “Creio em Deus”, “Sou materialista”, “Sou naturalista”, etc.
O idealismo, realismo, naturalismo, existencialismo são posições filosóficas. Assim, há uma filosofia cristã, filosofia marxista (criada pelo socialista Karl Marx), filosofia política totalitária nazista, fascista, integralista ou democrática. Desde que a pessoa se integre numa religião ou se filie a um campo de idéias e doutrinas sobre qualquer assunto, está se enquadrando dentro de uma filosofia. Mas, ao negar filiação a qualquer corrente de idéias, afirmar ser à margem de tudo e dizer “a mim nada interessa senão a minha vida, e não quero saber nada sobre o resto do mundo”, está tomando uma posição filosófica de alienação, de indiferentismo, de negativismo. Portanto, entendendo o termo Filosofia como aquela pessoa que tem uma filosofia (que não é científico), conclui-se que todos somos filósofos. Sendo assim, a Filosofia não é difícil.
O QUE É ESTUDAR FILOSOFIA
Para ser um historiador de arte não é necessário pintar; para estudar poesia não é necessário ser um poeta; e podemos estudar música sem tocar um instrumento. Contudo, para estudar Filosofia é necessário fazer filosofia; é necessário que nos entreguemos à argumentação filosófica (argumentar é apresentar razões ou indícios que conduzem a uma conclusão); é necessário saber sobre as questões que caracterizam o fazer filosófico.
Não se trata de operar a nível dos grandes filósofos do passado mas, quando se estuda Filosofia faz-se o mesmo tipo de coisa que eles fizeram. Podemos jogar futebol sem chegar ao nível de Pelé, e podemos obter muita satisfação intelectual filosofando sem a originalidade ou o brilhantismo de Wittgenstein. Mas, em ambos os casos, será necessário desenvolver algumas das competências usadas pelos grandes praticantes. Essa é uma das razões pelas quais a Filosofia pode ser uma área de estudos compensadora.
Desde o seu nascimento, na Grécia, a Filosofia procura criar e definir conceitos gerais sobre as coisas. Busca dar significação aos conceitos e maior amplitude de compreensão para o uso mais amplo possível nas relações humanas.
A palavra “filosofia” deriva do grego “amor da sabedoria”. Mas isto não é particularmente útil para a compreensão do modo como a palavra é agora usada. A Filosofia é uma disciplina nuclear relativamente à maior parte dos cursos de humanidades. Centra-se em questões abstratas que caracterizam o fazer filosófico, como “Será que Deus existe?”, “Será o mundo realmente como nos parece que é?”, “Como devemos viver?”, “O que é a arte?”, “Teremos uma liberdade de escolha genuína?”, “O que é a mente?”, “O que é o tempo?”, “O que é a loucura?” “O que é o sonho?”, “O que é a verdade?”, “O que é a mentira?”, “O que é a liberdade?”, e assim por diante.
Estas questões abstratas podem surgir na nossa experiência cotidiana. Algumas pessoas fazem uma caricatura da Filosofia como se fosse uma disciplina sem relevância para a vida, uma disciplina para estudar em casa por satisfação intelectual, o equivalente acadêmico de fazer palavras cruzadas. Mas isto é uma representação errada de grande parte da disciplina. Ex: o debate sobre se o boxe deve ser proibido só pode responder-se enfrentando questões abstratas importantes. Quais são os limites aceitáveis da liberdade individual num país civilizado? Quais são as justificativas para o paternalismo, para forçar as pessoas a comportar-se de uma certa forma para o seu próprio bem? Este debate não é apenas sobre reações emocionais ao boxe; depende de pressupostos filosóficos fundamentais (um pressuposto é uma afirmação a favor da qual não se avança qualquer argumento; uma afirmação que se aceita para permitir a argumentação).
A análise de razões e argumentos é uma área própria da Filosofia. De fato, se a Filosofia tem um método distintivo, é este: a construção, crítica e análise de argumentos. As competências filosóficas são aplicáveis em qualquer área em que os argumentos sejam importantes, e não apenas nos domínios da especulação abstrata. São úteis quando se escreve ensaios, dado que se espera habitualmente que se defenda conclusões, e não apenas que as afirmemos. Por esta razão, uma formação básica em Filosofia é importante, seja qual for a disciplina acadêmica que se tenha em mente seguir.
COMO ESTUDAR FILOSOFIA
Estudar Filosofia, como estudar outra disciplina qualquer, é uma atividade que exige esforço e método. Sem método, o esforço é ineficaz. Com método, a aprendizagem torna-se mais agradável e o sucesso mais fácil.
São orientações metodológicas sobre a leitura, a participação nas aulas, a elaboração de trabalhos e a realização de provas:
1- COMO LER DE FORMA ATIVA
1.1- A leitura eficaz de um texto ou de um conjunto de textos processa-se, em geral, em duas etapas distintas:
a- Primeiro, ler por alto, fazer uma leitura rápida, dando atenção a títulos, esquemas, ilustrações e frases em destaque. O objetivo é saber de que assunto se trata e identificar os elementos mais importantes ou interessantes do texto.
b- Agora, já se tem uma visão geral do assunto. Chegou o momento de ler o texto em profundidade. Nesta 2ª etapa, devemos nos aproximar do texto de forma cuidadosa e crítica, para compreender o que se diz e como se diz. A compreensão do texto é fundamental para elaborar, corretamente, esquemas ou resumos e para fazer bons comentários.
1.2- Consulta a dicionário:
A ignorância das palavras constitui o primeiro obstáculo à compreensão de um texto. Por isso, devemos consultar o dicionário (geral ou de Filosofia) sempre que encontramos palavras cujos significados não conhecemos.
1.3- Elaboração de esquemas e resumos:
Os esquemas e resumos facilitam a aprendizagem e permitem revisões rápidas antes das provas.
Os esquemas são simples enunciados de palavras-chave e podem ter a forma de índices, quadros, desenhos ou mapas. Representam economia de palavras e permitem visualizar facilmente o conteúdo de um texto original.
Os resumos são reconstruções abreviadas do texto original, por palavras próprias do leitor, seguindo o plano e o pensamento do autor. Isto exige a identificação e o registro das idéias de cada parágrafo.
Resumir não é comentar. Um bom resumo diz apenas, com brevidade, clareza, rigor e originalidade, o que disse o autor do texto.
O comentário vai além do resumo. Comentar implica:
a- Compreender as idéias principais do texto e os argumentos utilizados pelo autor para defesa dos seus pontos de vista.
b- Situar o texto na obra do autor e no seu comentário literário, histórico ou filosófico.
c- Apreciar o valor das idéias apresentadas, comparando-as com as idéias defendidas por outros autores a respeito do mesmo assunto.
COMO ESTUDAR FILOSOFIA?
1- PROGRAMA
Procure ter presente a seqüência dos temas que são propostos. É essencial ter sempre presente a sua lógica ou sentido.
2- COMPREENSÃO DO PROGRAMA
Para cada tema, procure saber quais são as questões essenciais.
3- APONTAMENTOS
Registre no caderno, as idéias essenciais de cada tema. Este trabalho facilita as revisões da matéria.
4- DEBATES NA SALA DE AULA
Escute com atenção. É por aqui que tudo começa.
Faça apontamentos.
Identifique as várias posições sobre os problemas em discussão.
Analise os argumentos a favor ou contra as várias posições.
Intervenha, se achar oportuno, expondo com clareza, a sua posição e os seus argumentos.
5- LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
a- Faça uma primeira leitura e identifique o tema que está a ser tratado.
b- Na segunda leitura, mais atenta, identifique as idéias mais significativas.
c- Faça um resumo ou um esquema de todo o texto.
d- Relacione as questões do texto com o tema em discussão nas aulas.
e- A partir destas leituras e interpretações, coloque novas questões.
6- ELABORAÇÃO DE UM TRABALHO
a- Defina o assunto que pretende tratar. Para precisar melhor o tema e os objetivos do seu trabalho, efetue algumas pesquisas exploratórias.
b- Organize um plano de trabalho. Peça ajuda ao professor.
c- Pesquise. Comece pelas fontes de informação mais gerais, como dicionários ou enciclopédias, e só depois, consulte obras mais específicas. Faça apontamentos, registre os dados que identificam com precisão a fonte de informação consultada.
d- Plano de Trabalho: após a fase da pesquisa, ajuste o plano de trabalho às idéias que você foi formulando sobre o tema.
e- Redação: é a fase complicada da seleção e interpretação do material. Nem tudo o que foi recolhido será utilizado. O importante é não mostrar que você consultou muitas coisas, mas que possui idéias claras sobre o tema e que sabe transmitir.
h- Não esqueça que todos os trabalhos possuem uma introdução, uma parte de desenvolvimento e uma conclusão.
I- Apresentação.
7- AVALIAÇÃO
A – Estude com regularidade.
b- Procure saber antecipadamente as datas dos testes.
c- Verifique com antecedência, se você sabe, de fato, a matéria.
d- Nos testes, leia com atenção as perguntas.
e- Fundamente as suas opiniões.
f- Procure ser claro nas suas afirmações.
A UTILIDADE DA FILOSOFIA
O que é utilidade?
Vivemos num mundo em que a visão das pessoas está marcada pela busca dos resultados imediatos do conhecimento. Assim, é importante a pesquisa do biólogo na busca da cura do câncer, e outros mais. E o estudante se pergunta: “Para que vou estudar isso, se não usarei na minha profissão?”
Nessa linha de pensamento, a filosofia seria “inútil”: não serve para nenhuma alteração imediata de ordem pragmática. Ela é semelhante à arte, pois a finalidade de uma obra de arte é que ela tem um fim em si mesma e, assim, é “inútil”.
Entretanto, não ter utilidade imediata não significa ser desnecessário. A filosofia é necessária. Onde está a necessidade da filosofia?
Está no fato de que, por meio da reflexão, a filosofia permite ao homem ter mais de uma dimensão alem da que é dada pelo agir imediato, no qual o “homem prático” se encontra mergulhado. A filosofia dá o distanciamento para a avaliação dos fundamentos dos atos humanos e dos fins a que eles se destinam: reúne o pensamento fragmentado da ciência e o reconstrói na sua unidade; retoma a ação pulverizada no tempo e procura compreendê-la. Portanto, a filosofia é a possibilidade da transcendência humana, ou seja, a capacidade que só o homem tem de superar a situação dada e não-escolhida. Pela transcendência, o homem surge como ser de projeto, capaz de liberdade e de construir o seu destino.
O distanciamento é o que provoca a aproximação maior do homem com a vida. Whitehead, lógico e matemático britânico contemporâneo, disse que “a função da razão é promover a arte da vida”. A filosofia recupera o processo perdido no imobilismo das coisas feitas. A filosofia impede a estagnação. Por isso, filosofar se confronta com o poder, e sua investigação não fica alheia à ética e à política. François Châtelet afirma: “Desde que há Estado – da cidade grega às burocracias contemporâneas -, a idéia de verdade sempre se voltou ao lado dos poderes (ou foi recuperada por eles, como testemunha, oor exemplo, a evolução do pensamento francês do século XVIII ao século XIX). Por conseguinte, a contribuição específica da filosofia que se coloca a serviço da liberdade, de todas as liberdades, é a de minar, pelas análises que ela opera e pelas ações que desencadeia, as instituições repressivas e simplificadoras: quer se trate da ciência, do ensino, da tradução, da pesquisa, da medicina, da família, da polícia, do fato carcerário, dos sistemas burocráticos, o que importa é fazer aparecer a máscara, deslocá-la, arrancá-la…”
Portanto, a filosofia é a crítica da ideologia. Atentando para a etimologia do vocábulo grego correspondente à verdade (a-létheia, a-letheúein, “desnudar”), vemos que a verdade é pôr a nu aquilo que estava escondido, e aí reside a vocação do filósofo: o desvelamento do que está encoberto pelo costume, pelo convencional, pelo poder.
Finalmente, a filosofia exige coragem. Filosofar não é um exercício puramente intelectual Descobrir a verdade é ter a coragem de enfrentar as formas estagnadas dopoder que tentam manter o status quo, é aceitar o desafio da mudança. Saber para transformar. Ex: Sócrates foi aquele que enfrentou com coragem o desafio máximo da morte.
PARA QUE ESTUDAR FILOSOFIA?
Responder “Para que estudar Filosofia”, exige uma atitude de distanciamento em relação à vida cotidiana, fazendo abstração, refletindo sobre coisas que nos parecem evidentes que, depois de pensadas a partir de hipóteses, percebemos que não são tão evidentes como imaginávamos. Por exemplo, o tratamento filosófico da natureza, como fez Galileu, nos evidenciou que, de fato, a Terra não era fixa e que se movia em torno do Sol, contestando a visão geocêntrica.
Hoje, a Ciência nos coloca a questão sobre “qual clonagem, a reprodutiva ou a terapêutica?”. Percebe-se que a questão não é mais “contra ou a favor”, e sim, qual delas é a mais eticamente aceitável. Esta questão deixou de ser científica para se tornar filosófica (porque trata sobre a vida dos humanos como um todo) e política (porque exige que se tome uma decisão e que se aprove leis para o seu controle e, principalmente, porque é de interesse de toda a humanidade).
Ao se estabelecer como “história das idéias”, a Filosofia desde 450 a.C., oferece a linguagem, as hipóteses, os métodos, os debates, os argumentos, as visões de mundo, enfim, várias ferramentas que nos auxiliem a responder questões que ultrapassam as disciplinas específicas.
Para que estudar Filosofia? – Por exemplo, aquele que não consegue seguir o raciocínio lógico da Matemática, não compreendeu a Filosofia. Filosofia não se estuda com descobertas científicas, frases, respostas prontas. A Filosofia não se limita às verdades ligadas as condições humanas, ou a ciência, que possui limitações. A preocupação está voltada a uma verdade maior, que transcende os limites da razão humana, à qual somos instigados a buscar constantemente. Essa busca e essa verdade não são finitas, por isso, enquanto o homem existir, ele estará sempre em busca dessa verdade maior.
A nossa vida não se limita ao 2 + 2 + 4, pois a verdade, o bem, o belo, não podem ser entendidos e interpretados como simples equações matemáticas. Eles exigem uma reflexão maior ao olharmos para nosso íntimo, onde se encerra a razão de nosso existir. Quanto mais nos voltamos para dentro de nós mesmos e nos remetermos ao transcendente, tanto mais teremos que caminhar. Essa caminhada é infinita e vai abrindo os horizontes à medida que caminhamos.
É preciso estudar Filosofia para entender melhor a vida e compreender o real e imenso valor que possui em si. Sem Filosofia, nossa vida seria limitada a simples cálculos, o que nos tornaria calculistas, frios e sem vida. A Filosofia abre os horizontes e guia para uma verdade que transcende todas as verdades da ciência: a verdade da existência, a força que move para uma busca infinita.
Parece ser difícil compreender Filosofia com tantos dizeres filosóficos e pensamentos, porém a sua compreensão é a exigência dessa busca. Entenderemos o sentido da Filosofia quando entendermos que não podemos somar ou subtrair, multiplicar nem dividir nossa verdade, o bem, o belo, o amor, a existência. Os sentimentos podem ser expressados nas mais diversas formas, mas nunca numa equação matemática, nem uma composição química ou física, quando nossas relações se tornam frias e calculistas porque na sociedade vive-se dessa maneira. Muitos dizem que pensar é coisa de quem não tem o que fazer, porém, a reflexão ajuda a compreender as coisas da forma como nenhuma ciência ajuda a compreender.
Hoje, questões ligadas à vida, à ética, aos direitos humanos, exigem muita reflexão, a qual a Filosofia ajuda e sem a qual caímos no dogmatismo ou não compreendemos a vida na sua essência. Aos poucos, vamos percebendo melhor o quanto a Filosofia faz parte da nossa vida. Muitos usam a Filosofia sem nunca terem estudado algo especificamente ligado à ela. É difícil encontrar um termo para definir Filosofia, porém, não podemos compreendê-lo separada da nossa realidade, do nosso cotidiano, da nossa vida, pois ela é intrínseca a nós. Não somos nós que escolhemos a Filosofia, mas é ela quem nos escolhe.
A Filosofia nos faz refletir sobre o que é melhor para nós e para o meio em que vivemos. Diante de determinadas situações, a reflexão filosófica nos ajuda para fazermos a melhor escolha, a opção mais eficaz. Talvez, por sermos calculistas, não gostamos de Filosofia porque ela mexe com nosso interior e isso pode doer, pois nos faz refletir sobre decisões tomadas e que, muitas vezes, foram feitas sem reflexão.
Deve haver equilíbrio entre a razão e a emoção. Quando usamos só a razão, nos tornamos insensíveis diante de muitas realidades, mas, só o uso da emoção também não favorece nas escolhas.
Temos preguiça de pensar. Não usamos nossa capacidade de raciocínio e, por isso, em tantos casos, nos damos mal. A escola se preocupa muito com o decorar as coisas, em saber regras de cor mas, na vida, é preciso refletir diante dos fatos, pois não podemos aplicar à tudo as mesmas respostas. A vida não é padronizada e quem a faz assim, sofre muito. Há opções a serem feitas, leis a serem cumpridas. Sem a reflexão, somos meros executores, sem saber o porque das coisas.
Em muitos casos, somos colocados no mesmo patamar das máquinas, que funcionam com determinados comandos. A vida não é assim. Para quem não reflete, viver assim pode parecer a melhor forma. Há pessoas que não encontram o sentido da vida porque não conseguem ver além da beleza externa. Se colocarmos o sentido da vida nas aparências, não demora muito e caímos na decepção, no desespero, na agonia de uma vida mal vivida, porque as aparências podem nos enganar. Se a nossa verdade, o sentido da nossa vida está embasado numa verdade interior é maior que o das aparências, seremos mais felizes e encontraremos a razão do nosso existir.
Existem inúmeros exemplos a esse respeito. Por exemplo, numa relação de amizade, se não há um conhecimento maior de ambas as partes, esse sofrimento morre logo. Quando nos conhecemos melhor interiormente e conhecemos também o outro, as dificuldades e dúvidas que aparecerão serão superadas e entendidas com maior facilidade, pois sabemos que em cada pessoa há um bem maior e que pode, deve e precisa ser conhecido. Uma amizade que fica só nas aparências é como uma casa construída sobre a areia. Na primeira tempestade ou ventania, desmorona, cai por terra. Uma amizade alicerçada na verdade, no conhecimento interior do outro e de si, as tempestades vindouras não terão forças suficientes para destruir. O que permanece é aquilo que está alicerçado na razão e no coração ao mesmo tempo. O restante é passageiro e ilusório.
As grandes amizades são aquelas estruturadas pela verdade e conhecimento mútuo, sem medos e reservas. Elas resistem e permanecem porque seu alicerce é mais firme e melhor construído. A Filosofia permite um maior conhecimento da pessoa do outro e da nossa. Sabendo e conhecendo nossas limitações, saberemos compreender as limitações do outro, que somos caminhantes na busca da verdade transcendental que nunca tem um fim. Ninguém pode dizer: Chega! Basta! Sei tudo o que preciso! Pessoas ignorantes talvez pensam assim. Pensar assim é igual a morrer. Por que continuar vivendo se seu tudo?
Enquanto vivemos, somos impulsionados à busca da verdade e isso nos dá forças e incentivos para continuarmos vivendo, sedentos e desejosos da vida. Por que esta não se limita a nenhuma ciência, mas encontra sua razão de ser na Filosofia?
A Filosofia acontece no dia-a-dia da vida. Filosofia é refletir sobre as coisas que acontecem, que são ditas e ouvidas. Não se limita apenas ao POR QUÊ?. Precisamos nos perguntar do nível de verdade daquilo que a TV apresenta; aquilo que as revistas trazem, pois eles têm seu ponto de vista e seus interesses, ocultando a verdade. A interpretação de uma notícia, seu posicionamento crítico e argumentação, são formas de fazer Filosofia. Aceitar tal e qual tudo o que os jornais, TV e revistas apresentam é uma forma de ignorância. Isso não quer dizer que todos e em todas as ocasiões mentem ou falham com a verdade. Porém, sempre precisamos nos perguntar pela verdade dos fatos.
Há vezes em que os repórteres são induzidos a manipularem notícias sobre determinados acontecimentos. Por isso, é importante ler ou assistir mais de um jornal e estabelecer um paralelo entre eles. Isso exige tempo e vontade. Discutir para ouvir o ponto de vista de outras pessoas ajuda a abrir nossos horizontes. Quanto mais nos fechamos em nosso mundo individual, mais ignorantes nos tornamos. A abertura, a experiência, o diálogo, a leitura, nos tornam pessoas abertas e conhecedoras da verdade. Buscar sempre a verdade dos acontecimentos e dos fatos é uma atitude filosófica.
Se pensarmos o quanto refletimos sobre tudo o que nos acontece, ouvimos, vemos, nos daremos conta de que nem sempre fazemos isso e não fazemos porque não queremos, pois nós podermos e sabemos. Por exemplo, se refletíssemos a nível de verdade que mostra a novela, não ligaríamos a TV para nossos filhos e para nós assistirmos. Novelas são uma forma de manipular as pessoas. Mas assistir com uma visão crítica é bom. Precisamos nos perguntar qual é o nível de conhecimento que uma pessoa tem dos acontecimentos históricos quando escreve novela, filme, minissérie? Será aquilo verdade? Será a melhor forma de ver o acontecimento? Para isso, devemos lembrar da necessidade de uma boa educação. As escolas precisam repensar o nível da qualidade daquilo que se ensina e a forma como se ensina. Pessoas esclarecidas sabem criticar e dosar as coisas, em busca da verdade e do bom senso.
Mente aberta à reflexão de tudo o que acontece é um jeito de fazer Filosofia!
O mundo Precisa de Filosofia
PROBLEMATIZAÇÃO
É possível um homem, que é um animal racional, viver em um mundo cercado pelos quatro cantos por idéias e pensamentos, viver sem a presença da filosofia e dos filósofos?
O mundo precisa de filosofia porque vivemos no mundo das idéias e são elas que movem o mundo. O homem não vive sem pensar e são as idéias que caracterizam os sentimentos, determinam a vontade e de sua clareza depende as firmezas das ações humanas. O mundo precisa de filosofia porque o homem, mesmo de forma inconsciente, pratica a filosofia, pensa, anda e sonha com filosofia. Mesmo os que não crêem, praticam a filosofia do ceticismo.
Vivemos no mundo das idéias, onde os pensamentos circulam na mente de todos os seres humanos racionais.
AS IDÉIAS MOVEM O MUNDO
1- O que tem mais valor: o dinheiro ou a sabedoria?
Diz Aristóteles em uma de suas obras, que certa vez a esposa de Hieron perguntou ao poeta Simônides, o que valia mais, ser rico ou ser sábio? E o poeta disse “rico, pois vejo os sábios estarem sempre batendo na porta dos ricos”.
Não são poucos os adeptos da “filosofia da riqueza”, que julgam ser a riqueza o poder por excelência. Esses vivem cercados das idéias de poder e ocupam a muitos no cumprimento de sua vontade, pois acham ter o direito de comandar.
Entretanto, a vida não se reduz a isso e Aristóteles assim, analisou a figura do homem rico: “tem todas as características de um homem feliz, a quem fala, no entanto, o bom senso”.
Objetivo do autor: não discutir as classes sociais, entretanto, como estamos no alvorecer da filosofia no mundo, é necessário refletir e entender o que é mais importante: ter ou ser?
Por mais que muitos ainda não saibam, vivemos no mundo das idéias, e o saber é mais precioso do que o ter.
2- Cada período da história teve sua ênfase.
Nos primórdios da História, os povos valorizavam a força e o poder militar era dominante.
Na Idade Média, a ênfase estava no pensamento religioso que influenciou até mesmo o sistema de governo. Durante a ascensão da burguesia, a ênfase estava no valor econômico dos poderosos do mundo. Atualmente, a luta é ideológica e a sorte da humanidade tem sido decidida pelos debates das idéias. E esse é o tempo em que a presença do filósofo aparece como inadiável.
3- As ciências práticas têm mais valor que a Filosofia?
Muitos dizem ser a Filosofia “um conjunto de especulações abstratas sem interesse para existência”. E que devemos nos voltar apenas para as ciências práticas. Todavia, o ser humano é um animal racional, ele não pode agir sem usar sua razão. Por isso, consciente ou inconsciente, todo ser humano é um filósofo.
4- A Filosofia é importante para a vida.
É falso negar a importância da Filosofia para a vida. Alguns sem conhecimento de causa dizem que “O filósofo não leva em conta as exigências do dia-a-dia”. Todavia, a cada pensamento antes da ação há uma filosofia em ação. Porém, a ação da Filosofia vai além do presente. Ela é uma poderosa força histórica. Não são poucos os filósofos que marcaram o mundo, pois é o pensamento que transforma a face da humanidade.
5- A máquina roubou do homem a reflexão
O homem moderno, de tanto criar e se servir da máquina, passou a refletir o humano pelo mecânico, tornando-se de mentalidade mecanicista, pragmática, ativista, fazendo-o perder o sentido de contemplação, que tem por fim a própria perfeição do sujeito da ação, dentro do que ele é e o que deve ser. Preocupado com o fazer, perdeu a perspectiva de ser. Para a Filosofia, o homem deve passar a preocupar-se com o por que fazer e para que fazer, além de vir a poder julgar convenientemente o que fazer diante dos dois pólos da vontade e do dever.
6- O caminho da Filosofia não é o do ter, mas sim, o do ser.
Na linha da vida contemplativa, o importante para o homem não é ter, mas ser na plenitude racional. Todavia, o convite da Filosofia não é de um afastamento da vida, mas do discernimento das idéias, isto é, um alargamento da visão e das dimensões da existência em extensões profundas.
7- As idéias e a vida do homem
7.1- Idéia e sentimento
Diz o ditado popular: “O que os olhos não vêem o coração não sente”. E isso é uma verdade. Não existe sentimento sem idéia. Os sentimentos variam de acordo com as idéias. Um estóico pagão que acredita que bem é não sofrer vê a morte com alegria porque tem a idéia de vida eterna.
O teatro grego explorava muito este fato, utilizando no terreno estético o recurso do efeito da identificação, onde o personagem aparece em cena com sua verdadeira identidade, após ter aparecido veladamente. Ex: Em Electra de Eurípides e Ulisses, na odisséia de Homero.
O próprio sentimento religioso apresenta características diferentes, segundo a idéia que o acompanha:
- Fetichista: É acompanhado de terror e inquietação, pois a idéia é de forças da natureza.
- Bramanismo: É acompanhado de um pessimismo, pois a idéia é de difusão do universo.
- Judaísmo: É acompanhado de medo pois a divindade se apresenta na forma de lei.
- Cristianismo: É acompanhado de esperança, pois a idéia é de um Deus amoroso e gracioso.
Logo, as idéias dão tom ao nosso sentimento e dão a cor à nossa própria existência.
7.2- Idéia e vontade
Uma das funções das palavras é exprimir o pensamento que, por sua vez, se escondem. Todavia, algumas vezes estas palavras não passam de ruídos, como diria o pensador grego Crátilo.
Emanuel Kant, filósofo alemão, defendeu a idéia de uma vontade que não fosse vontade de alguma coisa, ao que chamava de “vontade pura”. Todavia, o que a realidade nos ensina é que a vontade é sempre transitiva, e sempre vontade de alguma coisa.
Um homem de vontade firme é aquele que sabe o que quer, e sabe o que quer exatamente porque quer o que sabe.
Os atos dependem da vontade e a vontade é determinada pela idéia. São as idéias claras na mente do homem que permitem o discernimento do homem para o bem ou para o mal. Conhecendo o bem, ele terá como discernir o mal.
Segundo Tomás de Aquino, a idéia do bem é sempre um obstáculo à prática do mal.
7.3- Idéia e ação
A uma relação existente entre as idéias e os atos, Karl Marx dizia: “Até hoje, os filósofos só fizeram interpretar o mundo. Devemos agora, transformá-lo”. Todavia, as idéias são como sementes que devem ser secadas para depois semeadas com sucesso. Assim, quando aparece seca e sem vida é que ela é fonte de vida. Quando tratamos as idéias, examinando-as em si mesmas, parece que as retiramos da vida. A verdade, no entanto, é que a sua clareza abstrata é que lhe garante toda a força vital.
A grande verdade é que o homem não possui idéias claras sobre o que quer fazer. Sêneca, o famoso estóico, dizia: “Não há vento favorável para quem não sabe a que porto se dirige”.
Enfim, é necessário refletir, ou vivemos de acordo com os pensamentos, ou acabamos pensando de acordo com o nosso modo de vivermos.
Em suma, as idéias caracterizam os sentimentos, determinam à vontade e de sua clareza depende as firmezas das ações humanas. E por não viver sem pensar, o homem não vive sem filosofia.
OS FILÓSOFOS CONVIVEM CONOSCO
Existe uma idéia pré-estabelecida sobre a figura do filósofo, que o caracteriza como um excêntrico. De modo geral, pensamos no filósofo como um tipo esquisito, estranho e diferente de ser. Esta idéia vem das gerações passadas. Uma das versões da morte de Pitágoras é que ele morreu em um incêndio supostamente provocado pelo povo, por achá-lo uma ameaça acidade.
Platão, em sua obra intitulada Teetetos, descreve a visão da figura de um filósofo. Nesta figura, o filósofo é pintado como sendo um alienado da política, sociedade, do viver diário, ou seja, um alienado da vida. Esta mesma idéia de que o filósofo é um afastado da vida comum continua a existir em nossos dias. E isso traz um olhar de desconfiança com relação a ele e à filosofia.
1- OS FILÓSOFOS NÃO SÃO OS QUE APENAS COMPLICAM O QUE JÁ É LÓGICO
Não são poucos os que acham que o filósofo apenas complica o que já é simples. Se encontrarmos uma frase como esta: “A mentira é verdade porque se não é verdade, não é mentira, é verdade”. Achamos que o filósofo tem prazer em confundir as idéias através do jogo de palavras. Por essa razão, ficaram conhecidos com os que confundem a mente. Entretanto, é na filosofia que encontramos os elementos capazes de livrar-nos da confusão das idéias e da imprecisão da linguagem.
Voltando à frase, vemos que ele ensina que a mentira é verdade que é mentira, porque, se não for verdadeiramente mentira, então é falso que é mentira, e não se trata de mentira, mas de verdade. Isto revela que a razão humana tem uma capacidade reflexiva. Assim não só tem conhecimentos verdadeiros ou falsos, mas a capacidade de julgá-los.
2- A FILOSOFIA NÃO PODE SER VISTA DE MODO UNILATERAL
Os sofismas de frases estranhas e o anedotário são sempre motivos de interesse e servem de base de críticas à filosofia. Frases como de Sócrates, “bem é assim mesmo depois da trovoada vem a chuva”, dita a sua esposa após voltar para casa um pouco mais tarde e ao passar pela janela, recebe além das reclamações, um vaso de água na cabeça. Ou ainda de Diógenes, o cínico que andava com a lanterna acesa em pleno dia, dizendo: “Estou procurando um verdadeiro homem”, trazem uma impressão estranha e esquisita da filosofia. Tudo isso apresentado assim isoladamente e de forma generalizada, traz a idéia de que os filósofos são alienados.
Todavia, é necessário entender que:
2.1- A filosofia não se resume em textos isolados.
2.2- Até mesmo as frases mal colocadas, sempre tem algo a ensinar.
2.3- A maneira exótica de pensar dos filósofos não os afasta do seu conviver conosco.
3- OS FILÓSOFOS ESTÃO MAIS PRÓXIMOS DE NÓS DO QUE IMAGINAMOS
Os filósofos que julgamos distantes de nós, vivem conosco e até presentes em nossos pensamentos. Nós andamos com eles sem saber. Quantos brasileiros ignoram que o lema “Ordem e Progresso”, inscrito na bandeira, foi tomado da filosofia positivista de Augusto Comte, que pregava um sentimento de fraternidade e de filantropia?
Da mesma forma, outra expressão positivista que passou a ser um ditado popular: “Contra fatos não há argumentos”, defendia o conhecimento direto dos fatos pela observação e criticava a interpretação e a teorização.
Por mais que não pareça, todos os seres humanos têm uma filosofia de vida. Aquele que diz que não há verdade é cético. Logo, pertence à filosofia do ceticismo absoluto. Há os que dizem que cada um tem uma verdade para si mesmo, estamos diante de um ceticismo relativista, à feição de Pitágoras, que dizia: “O homem é a medida de todas as coisas”.
Os que julgam que não atingimos o conhecimento da verdade, mas apenas um conhecimento aproximado da verdade, não sabem que estão na linha do ceticismo probabilista de Cícero.
Os contra tudo e contra todos, que sempre estão a criticar negativamente, fazem parte da classe do pirronismo.
Os que dizem que uma obra de arte não tem valor em si, mas vale apenas pela impressão causada no espectador e que cada um pode ter uma impressão diferente do mesmo objeto, é um idealista subjetivo.
Os que entendem que o esforço racional é inútil, e que se devem esperar as revelações dos mensageiros do além é adepto do gnosticismo.
Há ainda os que julgam que a razão tem um valor absoluto e tudo pode ser explicado pela razão, é da linha do racionalismo.
Tudo isso demonstra que os homens carregam consigo, posições filosóficas assumidas arbitrariamente. Só não sabem como os filósofos justificam racionalmente tais posições.
Os filósofos convivem conosco marcando a vida humana com a sua presença constante. Os homens que julgam se afastar da vida e, por não se preocuparem com a filosofia, podem estar afastados da realidade por delicadeza de concepção de viver como poderiam e deveriam viver. O fato é que vivemos diante da presença dos filósofos, pois suas idéias se manifestam a todo tempo.
INFLUÊNCIA DA FILOSOFIA NO MUNDO
“O mundo precisa de filosofia”. Não vamos entender a filosofia como uma forma estranha, e mesmo maluca de se utilizar palavras difíceis na tentativa de confundir as pessoas de forma que estas dêem a esses pensadores o título de sábios ou malucos devido a nossa pouca capacidade de reflexão e nosso comodismo quanto a arte de pensar. O homem sempre teve sede de conhecimento, de explicar de forma lógica, todos os fatos e acontecimentos. O homem sempre teve sede do saber, porém nem todos tiveram a iniciativa de se mergulhar na busca deste saber. Podemos definir o homem como um animal sedento de conhecimento, haja visto que o conhecimento vem como que satisfazer suas vaidades, complementar a sua fragilidade humana, tornando-o um semideus.
Presenciamos o poder do pensamento em diversas fases da história. Nos primórdios, presenciamos o poder da força (militarismo); na Idade Média, o poder da fé (religioso); com a ascensão da burguesia, experimentamos o poder do capital (econômico) e, com a ascensão do poderio político, presenciamos o poder na arte de governar (político).
A sede de conhecimento sempre dominou o espírito humano porque o homem nunca aceitou sua condição de um ser mortal, limitado. Nos primórdios da história, presenciamos como os chineses e indianos se entregavam à arte do pensar e como mergulhavam em suas mediações e, a partir destas, formavam teses diversas para explicar a origem dos seres. Mas foi com os gregos que a filosofia ganhou força e destaque. Passando pela escola jônica de Tales de Mileto até chegar a Aristóteles, a filosofia, ou seja, o pensamento quanto a mundo e tudo o que existe, passou por uma série de confrontos, de contradições e de choques. A cada geração, uma descoberta a partir dos pensamentos já existentes.
Até hoje, apesar de muitas outras correntes terem surgido e estarem influenciando em nossa forma de agir e pensar, pensadores como Platão, Aristóteles se destacam pela influenciam em nossa vida e no agir. Não percebemos, mas seus pensamentos ainda são responsáveis pelo movimento do pensar mundial. A filosofia tem sua parcela de responsabilidade ao desenvolver valores no homem, como saber, poder, ter.
A filosofia é a ciência dos sistemas de idéias. Hoje, diante de tantas facilidades e da preguiça mental que estas novidades tecnológicas nos trazem, não percebemos a ação filosófica. O homem contemporâneo perdeu o gosto e o interesse pela reflexão, o que leva a pensar que a filosofia está localizada em um passado distante. A dificuldade do homem contemporâneo em perceber a presença da filosofia no dia-a-dia está no fato da filosofia exigir abstração, reflexão, contemplação, pois não percebem que as idéias movem o mundo, e que os sentimentos, a vontade, a ação são frutos e dependem da formação destas idéias.
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O MUNDO PRECISA DE FILOSOFIA
Referência: Texto escrito por Paulo Lara Perkow, inspirado em: MENDONÇA, Eduardo Prado. O mundo precisa de filosofia. Editora São Paulo Indústria Gráfica e Editora S. A. para agir S. A., 1891.
Era uma vez 2008, chegamos em 2009!
E a questão principal é, o que é o homem? Começamos voltando à Mitologia Grega: “Qual é o animal que tem quatro patas pela manhã, dois pés ao meio-dia, três pés a tarde”, e ao anoitecer fecha os olhos e entra em repouso profundo, voltando para o ventre da mãe?
Qual o animal no “universo que tem o poder de refletir e de pensar” suas atitudes. Todos os animais têm o poder de sentir e perceber. Mas somente um, “O homem sabe que sabe. Ele emerge de sua ação. Ele a domina numa medida por mais frágil que seja. Ele pode, então, abstrair, combinar e prever. Ele reflete, ele pensa”. (Pierre Teilhard de Chardin).
Segundo Eduardo Prado, em “O mundo precisa de filosofia”, “Pensar a existência do homem no quadro de cronologia da vida na terra não deixa de ter um interesse que, pelo menos, poderia contribuir para uma atitude um pouco diversa da que ele costuma ter comumente”. (1981, p. 99).
O grande e poderoso homem, perto das dimensões do universo, torna-se muito pequeno, quase que invisível no mundo visível do planeta Terra. A vida do homem é uma dádiva que o universo concebeu, algo tão grandioso e genial, porém, de uma efemeridade que passa num piscar de olhos em relação à vida do universo, infinitamente maior. Como diz a música “É um sopro do Criador” e representa “apenas um instante na duração eterna”.
Mas a vida, o homem e o universo sendo um sopro, cada um nas suas dimensões, estão em constante movimento. “Nada é fixo no universo: não existe um único átomo em repouso absoluto. As forças formidáveis de que a matéria está animada regem universalmente sua ação”.
É preciso entender que somos parte deste universo e, vivemos em simbiose com o mesmo. Precisamos criar na nossa rotina um momento de contemplação das coisas da natureza que se passam a nossa volta e, tornando-nos parte deste momento, precisamos mudar o paradigma em relação ao mundo.
“Pois, enfim, o que é o homem na natureza? Um nada em relação ao infinito, um tudo em relação ao nada, um meio entre o nada e o tudo. Infinitamente afastado de compreender os extremos, o fim das coisas e seu princípio para ele invisivelmente escondidos num segredo impenetrável, igualmente incapaz de ver o nada de onde foi tirado e o infinito em que está envolvido”. (Pascal. In: Pensées),
Segundo Pascal, “O pensamento faz a grandeza do homem. O homem é apenas um caniço, o mais frágil da natureza, mas é um caniço pensante”. Não basta ser um caniço pensante, sem isca, sem uma lagoa e, principalmente, sem a atitude de colocá-lo na água e a paciência de esperar que a estratégia dê certo. Pensamento e ação são atitudes fundamentais para que as coisas que planejamos aconteçam.
Lembremos do início da história: “ao anoitecer fecha os olhos e entra em repouso profundo, voltando para o ventre da mãe”. É a volta à origem. O homem nasce e abda de quatro pés, engatinhando. Criança livre em espírito, vinda de um mundo desconhecido do nada. Na essência, um ser químico e físico movido somente pelo sentimento e idéia dos pais. Químico devido às partículas e átomos essenciais que compõem a natureza, e físico é o movimento, o sopro do Criador do universo. Depois se transformam em seres biológicos, onde a vida começa a surgir para a ciência concreta e sensível. É um ser que depende dos pais, necessitando de cuidados, afeto e educação.
Depois, na fase adulta, o homem caminha com as próprias pernas. Ser pensante, “penso logo existo” ou não, porque, às vezes, não penso como deveria pensar. Penso o que os outros gostariam que eu pensasse, ou seja, os outros pensam por mim. Mas, de qualquer modo, tudo é movimento e exercício.
Terceira fase, esta é um perigo. É o entardecer, a velhice. É quando temos muitas experiências e pouca vitalidade física. Andamos mais devagar com o auxílio da muleta ou bengala. Começamos a nos curvar, perdendo vergadura. Geralmente, temos muita sabedoria das vivências que carregamos conosco. Mas, na sociedade moderna, na era da globalização, pouco se valoriza a ancestralidade nos povos.
Quarta fase é o anoitecer, onde a gente fecha os olhos e repousa, entrando para o ventre da mãe terra. Não posso falar desta parte ainda. Parece-me tão complexo quanto o início. Passamos a vida toda nos preparando para o final, para a chegada. Vivemos cada dia sabendo que um dia nosso dia há de chegar. Mas nunca estamos preparados, sempre temos algo a fazer. Queremos ir além, nosso movimento interior pulsa mais forte. O homem é um ser em constante movimento social, cultural, corporal, intelectual, filosófico.
Nascemos e, depois de certo tempo, sabemos que a coisa mais certa na nossa vida é a morte, mas morrer é tão difícil quanto nascer. E aceitar a morte é muito difícil. Já dizia a música do Gonzaguinha: “Ninguém quer a morte, só saúde e sorte”. Então, seres pensantes, morrer significa voltar para o ventre da mãe terra. Diz o Livro Sagrado que “o homem vem do pó e para o pó voltará”. Sei que ninguém gosta de falar desta parte.
Mas temos que cuidar do nosso mundo. O visível e o invisível. Nosso planeta pede socorro, chora, grita, treme e geme. Está meio desequilibrado emocionalmente. E nós, “caniços pensantes”, temos que observar alguns fenômenos que têm acontecido. E chamamos esta responsabilidade para nós porque “o homem não é um ser completo e acabado. O seu pensamento opõe diante da consciência deste processo com uma visão retrospectiva e uma visão prospectiva”.
Para onde vai o mundo deste jeito? Carente, violento, sedento de amor e equilíbrio espiritual. Cheio de guerras causadas pelas ideologias muitas vezes equivocadas. O homem mexe no subsolo para tirar petróleo, e as leis da natureza mostram que não existem espaços vazios no universo. E aí, o que acontece? Qualquer criança sabe e pergunta: “E aí? O que acontececom este espaço que fica vazio com a retirada do petróleo?” O homem queima o petróleo e outros combustíveis. E aí, o que acontece com esta fumaça que é emitida para o céu? O homem faz represa e constrói hidrelétricas. E aí, o que acontece com o ecossistema? O homem pede socorro, o mundo pede socorro e o universo conspira. Plim!
O homem quebra o átomo. A faixa de Gasa treme. Uma criança geme. Quero ser feliz no ano que vem chegando. Não sei por que. É preciso sentar na pedra e olhar o pôr-do-sol. O mundo pede socorro. O mundo precisa de filosofia. Meu pai já dizia… O mundo precisa de filosofia.